Secretaria da Cultura

Entre-Temps


O MIS e o Paço das Artes comemoram o ano da França no Brasil com a mostra de vídeos, filmes e slideshows do acervo do Musée d’ Art moderne de la Ville de Paris (Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris), com curadoria de Angeline Scherf e Odile Burluraux.

O conjunto de 21 trabalhos de artistas franceses e radicados na França, divididos entre o MIS e o Paço, atesta a diversidade da produção contemporânea francesa em vídeo e seu diálogo com a experimentação de linguagens, suportes e outros campos do conhecimento, como a ciência e a filosofia.

Obras e artistas participantes no MIS:

Nos três últimos trabalhos do israelense Absalon (Eshel Meir), morto em 1993, o artista se deixa filmar testando diferentes possibilidades para ocupar volumes abstratos. Em Solutions (1992, 7'50''), Absalon executa gestos cotidianos em uma habitação estreita. No vídeo Bruits (1993, 3'23"), ele grita e expressa toda sua raiva e, em Bataille (1992, 49'00"), efetua uma espécie de coreografia, batendo-se contra o vazio, o espaço e si mesmo. Sua obra questiona uma ordem social baseada no que a casa representa aos indivíduos.

Bonneville (2004, 12'30"), animação muda e em preto e branco de Benoît Broîsat , leva o espectador a uma viagem poética pela cidade natal do artista, onde ele passou a infância e a adolescência. O vídeo constitui-se de desenhos em caneta preta trabalhados em programas de computador de animação 3D.

Na animação 3D Ann Lee in Anzen Zone (2000, 3'25"), Dominique Gonzalez-Foerster prolonga a existência da heroína de silhueta rosa Ann Lee, protagonista do projeto No Ghost, Just a Shell. Desta vez, a personagem anuncia uma profecia ameaçadora: “Não há para onde ir. Vocês serão todos enviados para um lugar sem volta...”

Os artistas que conceberam No Ghost, Just a Shell, Pierre Huyghe e Philippe Parreno também participam da mostra com suas versões de histórias de Ann Lee, com Two Minutes Out of Time (2000, 4' 09")Anywhere Out of the World (2000, 4'00"), respectivamente.

Ainda de Parreno, The Boy from Mars (2003, 10'39" ), exibido recentemente na Bienal de Lyon, realizado na Tailândia,  mostra uma casa cuja eletricidade é fornecida pelo trabalho de um búfalo aparelhado com um sistema de polias. O trabalho foi concebido em colaboração com o arquiteto François Roche.

O vídeo Zidane, un portrait du 21ème siècle (2006, 91'00"), de Douglas Gordon e Philippe Parreno, é uma representação cinematográfica em tempo real do jogador Zinedine Zidane em uma partida de futebol. Inspirada nos retratos filmados de Andy Warhol nos anos 60, a gravação contou com 17 câmeras sincronizadas ao redor do campo, no nível da plateia, todas focadas em Zidane. Os microfones captam a respiração do atleta e até o barulho que ele faz ao levantar as meias.

Herdeiros do surrealismo não dogmático e das experimentações radicais dos quadrinhos de vanguarda, a dupla Mrzyk & Moriceau projetam um olhar deslocado sobre o mundo real e a prática do desenho. Em Feeling (2000-2001, 3'30"), os desenhos executados em tinta preta sobre papel, diretamente nas paredes ou em forma de animação, são estranhos, engraçados e refletem um certo humor negro.  

Nicolas Moulin
manipula imagens digitalmente, criando assim representações mentais insólitas de mundos invadidos pela ficção. A instalação Viderparis ( 1998-2001, 25'00") consiste em cinquenta vistas de Paris de locais desconhecidos, sem vestígios das atividades do homem.


Localizado no Espaço Redondo do Museu, a videoprojeção de Julien Discrit, Marathonlife (2005, 15'40") apresenta um jovem saído de um túnel correndo no silêncio da noite. Durante o percurso, ele conversa consigo: fala de lembranças da infância – invenção de pequenas mentiras, primeiro amor, angústias – e continua pela adolescência e vida adulta.  No caminho, vê janelas parcialmente iluminadas, estacionamentos e corredores. 

Entrevista com as curadoras Odile Burluraux e Angeline Scherf

Eventos relacionados

Realização

  • Museu da Imagem e do Som
  •  
  • Museu da Imagem e do Som