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Paço das Artes no MIS | Daniel Frota

A mostra parte da pesquisa de Daniel Frota sobre uma expedição científica britânica realizada em 1919 em Sobral, no Ceará, para documentar um eclipse solar. Sol preto busca investigar o choque estabelecido no contato entre a precariedade econômica de Sobral e o início da física moderna por meio deste experimento, cujo registro fotográfico foi usado na comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

Segundo o artista, a chegada dos cientistas gerou na população local, extremamente católica e supersticiosa, a suspeita de que o eclipse anunciaria o fim do mundo, pestes e inundações. “Os materiais e formas presentes nas instalações, esculturas, gravuras e vídeo que compõem a exposição evocam o choque de crenças, ficções e urgências, além de apresentar uma revisão das relações de poder estabelecidas pelo contraste entre o avanço do conhecimento científico e o atraso socioeconômico local”, explica.

O conflito entre as crenças religiosa e científica pode ser visto no vídeo Sol preto (HD, 23 min.), que explora os acervos do Museu do Eclipse e do Museu Dom José, ambos localizados em Sobral. Com linguagem documental, a obra narra a história por meio de um duelo entre dois repentistas, que improvisam versos sobre a expedição, o eclipse, o medo, o atraso e o início da modernidade. “Em meio a esse artifício narrativo, fatos, rumores, superstições se misturam reconstituindo uma versão improvisada da história, cantada de dentro do planetário local, inaugurado em 2015”, afirma o artista.

A tensão entre o progresso científico e o “atraso” da região aparecem sutilmente também na instalação Futurosa, composta por uma estrutura de madeira e impressões sobre esteiras de carnaúba. A imagem, impressa na palha por meio de transfer com solvente e xérox, é uma fotografia que faz parte do acervo do Observatório Nacional no Rio de Janeiro. No lado esquerdo da imagem, há um menino descalço, varrendo o chão, e, na parte direita, está Teófilo H. Lee, um dos membros da comissão brasileira de astrônomos que acompanhou a expedição em Sobral, com um telescópio.

O material da obra também alude à história. A estrutura de madeira remete às construções provisórias que marcaram a ocupação da cidade e a carnaúba simboliza o sertão cearense.

Por fim, o díptico de fotografias A figura não mente, os que mentem figuram, se baseia na técnica chamada "Terapia de espelho", usada por pessoas que sofrem com dores no membro fantasma. As imagens retratam o órgão inexistente que continua a mandar recados ao cérebro. “O mecanismo usado retrata formas de suprimir e superar memórias, autossabotagens afetivas e inversões de figura e fundo que desestabilizam o olhar”, diz Daniel Frota.

Sobre o artista

Daniel Frota (1988, Rio de Janeiro) é formado em design gráfico pela PUC-Rio, tem pós-graduação pela Escola Nacional de Belas Artes de Lyon, França, e mestrado em Tipografia e Práticas Editoriais pelo Werkplaats Typografie, do ArtEZ Institute of the Arts, em Arnhem, Holanda.

Entre as exposições recentes, destacam-se a exposição individual Irrealis Mood (2016), na Fondazione Sandretto Re Rebaudengo, em Turim, Itália; e as coletivas Paraphernalia (2016), no Musée des Confluences, em Lyon; e Panoramas do Sul (2015), no 19º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, em São Paulo.

Sobre a Temporada de Projetos

A vocação experimental do Paço das Artes é constatada, principalmente, por meio da Temporada de Projetos, que foi criada com o objetivo de abrir espaço à produção, fomento e difusão da prática artística jovem. Concebida em 1996, a Temporada de Projetos teve sua primeira exposição realizada em 1997 e se tornou, ao longo dos anos, um rico celeiro para a cena da jovem arte contemporânea brasileira.

Anualmente, a Temporada abre uma convocatória nacional selecionando nove projetos artísticos e um projeto de curadoria para serem desenvolvidos e produzidos com o respaldo do Paço das Artes. Os selecionados recebem acompanhamento crítico, a publicação de um catálogo sobre suas obras e um cachê de exibição. Desde seu surgimento, quando ainda era bienal (tornando-se anual em 2009), o programa possibilita a emergência de inúmeros artistas, curadores e críticos, muitos deles presentes na cena artística atual.

Em 2014, o Paço das Artes lançou a plataforma digital MaPAhttp://mapa.pacodasartes.org.br, concebida por Priscila Arantes, que reúne todos os artistas, curadores, críticos e membros do júri que passaram pela Temporada de Projetos.

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