Secretaria da Cultura

MIS: Novos Diálogos


O Museu da Imagem e do Som de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, foi inaugurado em 1970. Seu acervo conta com mais de 200 mil itens como fotografias, filmes, vídeos e cartazes. Além de exposições e mostras de cinema regulares, o MIS possui uma programação cultural diversificada voltada para todos os públicos e abre espaço para novos artistas, que, por meio de seleção, exibem seus trabalhos dentro de programas de  fotografia, cinema, dança e música.  

Em 2014, o museu foi o mais visitado do Estado de São Paulo, recebendo 603.197 pessoas, mais que o dobro do ano anterior (256.756). Sob a gestão de André Sturm, diretor executivo do MIS desde 2011, o público vem crescendo a cada ano: em 2010, a instituição recebeu 61.683 visitantes em 2010, 86.233 em 2011 e 184.205 em 2012. Ainda em 2014 o MIS foi eleito a Atração do Ano pelo Guia 4 Rodas. O museu também foi apontado pelo Google como segundo colocado entre os lugares mais procurados em São Paulo. No mesmo ano, a instituição foi a quarta colocada na lista dos lugares mais populares para os brasileiros segundo retrospectiva do Facebook.

Recentemente o museu exibiu exposições de grande sucesso mundial e que atraíram grande público: Stanley Kubrick, sobre a carreira e obra do diretor de cinema americano, recebeu 80.972 visitantes, enquanto a mostra David Bowie, primeira retrospectiva sobre o cantor inglês, chegou a 80.190. Ambas foram eleitas como a melhor exposição pelos leitores do Guia da Folha (Folha de S. Paulo), Stanley Kubrick na votação de 2013 e David Bowie na votação de 2014.

Entre julho de 2014 e janeiro de 2015, o MIS apresentou sua exposição de maior sucesso Castelo Rá-Tim-Bum – A exposição, que levou mais de 410 mil  visitantes ao museu. Idealizada e concebida pela equipe do MIS, a mostra homenageou o programa infantil da TV Cultura que em 2014 completou 20 anos. A exposição venceu diversas votações populares: Evento do Ano pelos leitores do Guia da Folha, Melhor exposição pelos leitores da Veja São Paulo, Melhor exposição pelo site G1 e Melhor exposição pelo Uol.

Em 2015, o MIS continua com um calendário de exposições internacionais de grande repercussão como Jessica Lange: fotógrafa (fevereiro a abril), O mundo revelado de Vivian Maier (abril a junho) e  Truffaut: um cineasta apaixonado, que acontece de julho a outubro. 

MIS 2011: nova gestão

Em 2011, o MIS recebeu um novo plano de atividades sob a gestão de André Sturm. Assim, frente a todo o seu valor histórico e cultural na cidade de São Paulo, o Museu passa a ser um espaço de encontro para a população paulista, onde a pluralidade da programação artística e a efervescência cultural prevalecem. Este MIS, que tem suas atividades garantidas por uma parceria público-privada gerenciada pela Organização Social de Cultura Paço das Artes, passou, então, a atuar baseado em áreas pensadas para agir de forma coordenada e complementar.

Quatro linhas de atuação foram estabelecidas pela nova gestão: programação (manter o espaço atual para as novas mídias e ampliar o leque de atividades, especialmente com foco em cinema e fotografia); acervo (ampliar a digitalização de material audiovisual para exibição ao público); capacitação (promover ações de fomento à educação cultural como cursos, palestras, seminários etc.); e Pontos MIS (pontos de difusão e capacitação audiovisual espalhados pelo Estado de São Paulo).

Interligada às demais áreas de atuação do MIS, as exposições, com curadorias próprias ou de convidados, ocupam todos os espaços expositivos do Museu.  Eventos de cinema, vídeo e música – muitos deles multimeios – que acontecem nos dois auditórios, completam a programação. 

O MIS também traz em sua programação fixa o Cinematographo, que conta com projeção de filmes mudos sonorizados por músicos ao vivo; o Dança no MIS, que traz ao Museu apresentações site-specific de dança contemporânea; o Estéreo MIS, espaço dedicado a fortalecer e estimular a atuação da música independente nacional e o Notas Contemporâneas, que coleta registros orais de artistas da música erudita contemporânea com apresentação aberta ao público. Outro programa de destaque é a Maratona Infantil, que apresenta em um domingo por mês, uma programação gratuita voltada para as crianças e suas famílias com a exibição de filmes, oficinas variadas, circo, teatro, contação de histórias, shows e diversas outras atividades. 

Além da programação, o Museu lança convocatórias como a Residência LABMIS, projeto anual de residência nacional e internacional que desenvolve ação de fomento à produção de arte e conhecimento em novas tecnologias; a Nova Fotografia, que busca criar um espaço permanente para exposição de fotografias de artistas promissores que se distinguem pela qualidade e inovação de seu trabalho; e o Cine MIS, com o objetivo criar um espaço permanente de lançamento de curtas-metragens inéditos no Estado de São Paulo. 

O Núcleo Educativo do MIS ganha um papel ainda mais preponderante numa situação em que o contemporâneo, além de significar uma abertura para novas possibilidades de ação, aparece como algo ainda enigmático porque trata do tempo presente. Nesse sentido, o Núcleo Educativo perpassa e envolve todos os demais setores e significa o grande elo de comunicação não só com a parte da sociedade que já vê o museu inserido em seu entretenimento ou em seu modo de desvendar o mundo atual, mas, principalmente, com estudantes das redes pública e privada que estão construindo um repertório simbólico que dê conta de suas inquietações. 

O Centro de Memória e Informação do MIS (CEMIS) conta com mais de 200 mil itens. São fotografias, filmes, vídeos, cartazes, discos de vinil e registros sonoros. Entre os destaques estão depoimentos de Tarsila do Amaral, Tom Jobim, registros em áudio sobre a Companhia cinematográfica Vera Cruz, Memória do Rádio e Memória Paulo Emílio Salles Gomes. Parte desse acervo está à disposição do público na Midiateca, que dá acesso livre a publicações e cópias de difusão de obras de áudio e vídeo e fornece uma lan house e biblioteca especializada com material específico para entidades culturais e educativas.

 

A trajetória do MIS: do nascimento à atualidade

O Museu da Imagem e do Som foi criado em 29 de maio de 1970, já vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. Na época, a ideia era construir um museu que preservasse e produzisse a imagem e o som, conceito este que tomou forma após a inauguração do MIS do Rio de Janeiro, concebido pelo jornalista Carlos Lacerda, em 1961. Contaminado pelo ideal fluminense, o então governador de São Paulo, Abreu Sodré, incumbiu o jornalista Luiz Ernesto Kawall de organizar o similar paulista. Com uma comissão formada por destacados profissionais do cinema e do jornalismo – do qual constavam personalidades como o crítico Paulo Emílio Salles Gomes e o professor da USP Rudá de Andrade – a iniciativa foi posta em marcha. 

Antes de se instalar no atual endereço da Avenida Europa, o MIS percorreu regiões como Campos Elíseos, Avenida Paulista e Itaim. Porém, para garantir a estabilidade do espaço físico do MIS, o Estado encontrou o imóvel residencial pertencente desde os anos 1960 ao industrial Affonso Giaffone, construído para moradia dele e sua família. O edifício tinha a face da Avenida Europa murada e cercada por um imenso jardim, onde fica atualmente o estacionamento do MIS. Assim, numa Avenida Europa que ainda não abrigava estabelecimentos comerciais, foram iniciadas reformas de adequação técnica.

Em 27 de fevereiro de 1975, com a exposição Memória Paulistana, o Museu da Imagem e do Som finalmente abriu suas portas para o público em sua sede permanente em São Paulo. Organizada por Rudá de Andrade, diretor técnico do MIS entre os anos de 1970 e 1981, a mostra representou um importante resgate histórico-cultural da memória da capital paulista por meio de fotografias da cidade, além de retratos de personalidades e anônimos, tendo também como resultado a edição de um catálogo. As fotografias denotavam, ainda, a vocação do MIS para a exposição de mídias ainda não totalmente consagradas pelas instituições museológicas tradicionais. 

Na introdução do catálogo de Memórias Paulistanas, estavam delineados os objetivos iniciais e o perfil do MIS paulistano:  “adotar as tendências museológicas mais avançadas para conseguir o caráter de museu moderno e ter como matéria a comunicação de massa, apoiada em recursos de imagens e de sons, para, assim, ser um museu vivo”. Além disso, manter-se como um importante núcleo sobre comunicação cultural em um meio eficaz de difusão artística e educativa que atinja amplas camadas populares por meio da amplitude de sua programação também era um objetivo do projeto.

Ao longo de suas mais de quatro décadas de atuação, o MIS desenvolveu sua programação e constituiu seu acervo partindo dessas premissas. São marcantes os registros fonográficos existentes no acervo, que também servem como exemplo da vocação do MIS em fugir dos cânones tradicionais da historiografia.  

Tradição e ruptura sempre fizeram parte da trajetória e da atitude do Museu da Imagem e do Som. Assim, a extensa programação que o MIS sediou – e continua sediando – marcam-no como um importante espaço de fomento da linguagem audiovisual e da arte nas suas diferentes formas e técnicas, tanto no aspecto da produção, quanto no da exibição.

Dessa forma, muitos fatos culturais fixaram o MIS com nitidez junto ao público, artistas, críticos e produtores culturais, como um espaço atento à exibição, questionamento e debate do que existe de relevante na área. O MIS – e seu acervo é prova disso – soube oferecer visibilidade e audiência às boas obras de artes plásticas, cinema, vídeo, fotografia e música, sem deixar de atender à documentação e conservação de importantes legados artísticos de imagem e som.

Entre os anos de 1990 e 2008, enquanto assistíamos à emergência das novas mídias tecnológicas e à expansão da arte para práticas híbridas, tornou-se necessário reinventar o MIS, sem perder de vista o seu patrimônio já constituído. Seguindo o desenvolvimento da arte contemporânea e preocupado com uma visão crítica sobre essa nova produção, o Museu da Imagem e do Som lançou-se no desafio de adequar seu conceito institucional e sua estrutura física, sempre buscando integrar memória e contemporaneidade. 

O MIS reabriu em agosto de 2008 inteiramente renovado para ser um museu público pronto para dialogar com a arte do século 21, sem deixar de lado a rica história acumulada desde os anos 1970. Suas instalações foram reformadas e renovadas, numa ação que possibilitou a adequação do edifício aos seus diversos eixos de atuação, mas sem se esquecer da importância de manter sua identidade como espaço cultural que fez história na cidade de São Paulo.

O Museu mantém uma constante readequação de seus espaços e o incremento de sua programação em busca de aumentar o acesso aos bens culturais em sua pluralidade e de criar novos olhares e releituras não apenas para as obras de arte, mas também para o papel do museu na sociedade.  Caminha em consonância com as novas linguagens da arte contemporânea e direciona suas ações para criar um ambiente cultural efervescente com olhar para a memória e para o novo que surge a cada dia, além de ultrapassar as barreiras de seu espaço físico para levar arte para todo o Estado de São Paulo.