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A cada edição o Ciclo de Cinema e Psicanálise traz debate sobre um filme mediado por Luciana Saddi, coordenadora de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura e Comunidade da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Em seguida, o público pode participar com perguntas, integrando novas perspectivas sobre a obra discutida. Na temporada #MISemCASA, as edições são quinzenais, e o público pode assistir ao filme antecipadamente em plataformas de streaming.

Nesta edição, o psicanalista João Frayze-Pereira e a repórter Mariana Agunzi, mediados por Luciana Saddi, debatem o filme “Professor Polvo” (dir. James Reed e Pippa Ehrlich, Singapura, 2020, 85 min, livre, disponível na Netflix), documentário que trata do relacionamento, amizade e admiração profunda de Craig Foster, cineasta, por um polvo fêmea que vive em uma floresta de algas na costa da África do Sul. A infância é resgatada nesse mergulho nas águas que banham o sentimento oceânico. O despertar do desejo e a aceitação da dor, dos limites e da morte, além do enlace de loucura e razão e amor e magia são temas que esse surpreendente filme permite abordar. 

Assista no canal do MIS no YouTube.

Sobre os debatedores

João Frayze-Pereira é psicanalista, membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Professor Livre Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte, também da USP, com pós-doutorado em Estética na École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. Também é professor e supervisor da Euro-Latin American Psychosomatics School – Moscow. Atualmente é o Diretor de Cultura e Comunidade da SBPSP. Autor de livros e artigos publicados no Brasil e no exterior sobre Estética, Arte e Psicanálise, Crítica e Clínica. 

Mariana Agunzi é repórter em São Paulo. Na Folha de S.Paulo, desde 2014 já trabalhou no Guia Folha e na revista sãopaulo. Atualmente é redatora da Homepage e assina o blog Pitaco Cultural, com dicas culturais e sobre São Paulo. 

 
Sobre a mediadora

Luciana Saddi é psicanalista e escritora. É membro efetivo e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, mestre em Psicologia pela PUCSP e diretora de Cultura e Comunidade da SBPSP (2017/2020). É autora de “Educação para a morte” (Ed. Patuá), coautora dos livros “Alcoolismo – série o que fazer?” (Ed. Blucher) e “Maconha: os diversos aspectos, da história ao uso”. É fundadora do Grupo Corpo e Cultura e coordenadora do programa de cinema e psicanálise da diretoria de cultura e comunidade da SBPSP em parceria com o MIS e a Folha de S.Paulo. 

Sobre o filme

Professor Polvo

My Octupos Teacher 

(dir. James Reed e Pippa Ehrlich, Singapura, 2020, 85 min, livre, disponível no Netflix) 

Debilitado pela fadiga adrenal, Craig começa a mergulhar em uma floresta subaquática gelada na ponta da África. Revigorado pelas águas geladas ele começa a filmar suas experiências, e com o tempo um jovem polvo curioso chama sua atenção. Visitando sua toca e rastreando seus movimentos durante meses ele ganha a confiança do animal e eles desenvolvem uma relação improvável. Enquanto o polvo compartilha os segredos de seu mundo, Craig se torna testemunha da beleza e do drama na vida de uma criatura selvagem e nesse processo a vida de Craig passa por uma incrível transformação mental e física. 

Professor Polvo é um documentário improvável, ainda que perfeitamente crível, surpreendentemente comovente e de delicadeza ímpar. Trata-se do relacionamento, amizade e admiração profunda de Craig Foster, cineasta, por um polvo fêmea que vive na floresta de algas, na costa da África do Sul. 

O cineasta vive momento difícil, de crise, e parece deprimido. Para tentar aplacar suas angústias se propõe a mergulhar diariamente na floresta de algas próxima a sua casa. Como se fosse pedido de ajuda ou de resgate à “mãe natureza”, por remédio para se reencontrar consigo mesmo, mergulha, sem cilindro de oxigênio, nas águas aparentemente frias da costa sul africana. A floresta de algas o remete a infância, onde costumava brincar. Durante os mergulhos diários observa um polvo que se esconde entre conchas e areia para pescar peixes. O polvo é a própria armadilha de pesca. As estratégias de sobrevivência do polvo, astúcia e sensibilidade comovem Foster. Aos poucos, ambos se aproximam. Como etnólogo, a distância que o cineasta toma do polvo – mais a frente sabe-se trata que se trata de fêmea – é questão complexa. O observador se torna parte da experiência. O observado, que recebe da ciência o nome de objeto, em nada é passivo ou se deixa capturar por fáceis categorias de pensamento. As semelhanças com o método psicanalítico e com o dispositivo de tratamento inaugurado por Freud impressionam. 

O vínculo entre molusco e homem ultrapassa as fronteiras da ficção ou é a própria ficção que se torna realidade? Depois de assistir ao documentário fica difícil chamar o polvo de molusco ou de invertebrado diante do olhar “humanizado” do narrador. Um caso de amor ímpar que nos remete ao passado remoto da vida na terra – todos viemos do mar – ou nos lança ao futuro, um tempo em que todas as formas de vida serão respeitadas pelo valor intrínseco, utopia ecológica, sem dúvida. 

Em síntese, pode-se imaginar que sobretudo a infância do cineasta, e porque não dizer a do espectador, é resgatada no mergulho, genuíno, nas águas que banham o sentimento oceânico. O sentimento de pertencer ao todo. A crença na ordem do mundo ou em alguma força cósmica desconhecida, desde tempos imemoriais. A criança terna e ingênua parece ser convocada, ou melhor, invocada pelo ritual do mergulho. Da grande exposição aos mais diferentes estímulos provenientes da imersão profunda a pulsão escopofílica renasce. O desejo é despertado. A curiosidade pelo mundo e a beleza da vida no esplendor e mistério são redentoras. 

Da relação com o polvo nasce aceitação da dor, reconhecimento de limites e aprendizagem sobre a morte; transforma crianças em adultos. Professor polvo é poesia moderna, é épica e é fábula. Narra a epopeia de heróis. Joga com o romance shakespeariano de Romeu e Julieta. Brinca com a ficção científica. Rompe com todas as categorias de gênero. Enlaça fim e começo, conjura loucura e razão, enreda amor e magia. Surpreende. 

SOBRE O #MISEMCASA
A campanha #MISemCASA traz conteúdos em diferentes formatos em todas as plataformas digitais do MIS. A ação acontece em conjunto com o #Culturaemcasa, desenvolvido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa.Conheça a ação #culturaemcasa: cultura.sp.gov.br/culturaemcasa.

O MIS agradece aos patrocinadores, apoiadores e patronos da programação, que também apoiam a iniciativa digital #MISemCASA: Kapitalo Investimentos (patrocínio), Cielo (patrocínio), Vivo (patrocínio), TozziniFreire Advogados (apoio institucional), Bain & Company (apoio institucional), Telhanorte (apoio operacional), Itaú (patrono) e e Lefosse (patrono).

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