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Cidadão SP
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A cada edição o Ciclo de Cinema e Psicanálise traz debate sobre um filme mediado por Luciana Saddi, coordenadora de Cinema e Psicanálise da Diretoria de Cultura e Comunidade da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Em seguida, o público pode participar com perguntas, integrando novas perspectivas sobre a obra discutida. Na temporada #MISemCASA, as edições são quinzenais, e o público pode assistir ao filme antecipadamente em plataformas de streaming. 

Na primeira edição de junho, o programa que debate filmes à luz da psicanálise recebe o médico psicanalista Luiz Carlos Uchôa Junqueira Filho e o mestre em estudos árabes Diogo Bercito para falar sobre a produção afegã “A pedra da paciência” (dir. Atiq Rahimi, Afeganistão, 2012, 98 min, 14 anos, disponível na MUBI), que narra a história de uma mulher começa a fazer uma confissão a seu marido que está em estado vegetativo devido a uma bala no pescoço. O filme foi lançando no ano de 2012 e representou o Afeganistão na categoria de Melhor Filme Estrangeiro nas prévias do Oscar de 2013. Além disso, circulou por diversos festivais de cinema pelo mundo, tais como Festival Internacional de Cinema de Toronto, Festival Internacional de Cinema de Rotterdam e o Festival Internacional de Cinema de San Francisco. 

O filme pode ser assistido na plataforma de cinema MUBI por meio do link mubi.com/promos/mis, disponível a partir de 27.05.2021 (é necessário fazer cadastro prévio para ter acesso ao filme e a todo o catálogo da MUBI por 30 dias gratuitamente)

Assista ao debate ao vivo no canal do MIS no YouTube.

Sobre os debatedores

Luiz Carlos Uchôa Junqueira Filho é médico (Faculdade de Medicina da USP), membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, da qual foi Presidente. É organizador dos Encontros Bienais da SBPSP e editor das publicações correspondentes. É autor de “Sismos e acomodações: a clínica psicanalítica como usina de ideias (Ed. Rosari, 2003) e “Dante e Virgílio: o resgate na selva escura” (Ed. Blucher, 2017), além de tradutor de diversos livros e artigos de psicanálise e coautor de livros sobre a obra de Wilfred Bion no Brasil e no exterior. 
  

Diogo Bercito foi correspondente da Folha de S.Paulo em Jerusalém em 2013 e 2014 e morou no Marrocos, no Líbano e no Egito. Bercito é mestre em estudos árabes pela Universidad Autónoma de Madrid (Espanha) e pela Universidade Georgetown (EUA), onde faz doutorado em história. 

Sobre a mediadora

Luciana Saddi é psicanalista e escritora. É membro efetivo e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, mestre em Psicologia pela PUCSP e diretora de Cultura e Comunidade da SBPSP (2017/2020). É autora de “Educação para a morte” (Ed. Patuá), coautora dos livros “Alcoolismo – série o que fazer?” (Ed. Blucher) e “Maconha: os diversos aspectos, da história ao uso”. É fundadora do Grupo Corpo e Cultura e coordenadora do programa de cinema e psicanálise da diretoria de cultura e comunidade da SBPSP em parceria com o MIS e a Folha de S.Paulo. 

Sobre o filme

A pedra da paciência  (“Syngué Sabour, Pierre de Patiece”, dir. Atiq Rahimi, Afeganistão, 2012, 14 min, 14 anos, disponível gratuitamente no MUBI) .

Em um país dividido por uma guerra, uma bela mulher cuida de seu marido em um quarto decrépito. A vida de seu marido está reduzida a um estado vegetativo devido a uma bala no pescoço. Um dia, a mulher começa a fazer uma confissão ao seu marido silencioso… 

No Afeganistão, um herói de guerra em estado vegetativo, abandonado pelos companheiros de Jihad, é cuidado pela jovem esposa. Enclausurada, sob constante ataque e escondida em vestes e lenços, a mulher narra sua história ao marido imóvel. Ao relatar segredos, fala da infância e sonhos. Entre culpa e medo, denuncia a oprimida condição da mulher muçulmana - agravada pela guerra.  Observa-se no transcorrer do drama o aparecimento do desejo e da responsabilidade pelo próprio destino. Coragem, ternura e força para recomeçar a vida revelam a personagem. 

O filme de Atiq Rahimi se assemelha a um monólogo. Intenso, conta com a excelente Golshifteh Farahani, iraniana, indicada ao César de atriz revelação, por dar vida à trama. Apresenta não somente uma vila destruída por constantes ataques. Traz também o terror da guerra, a condição de crianças e mulheres que vivem em circunstâncias brutais, adversas, agravadas pela cruel submissão e opressão feminina típicas de regimes autoritários e misóginos. O sofrimento dos homens também está presente, principalmente daqueles que não se adaptam ao estereótipo machista. O filme revela violência e desatino próprios dessas sociedades.  

Atiq Rahimi reinterpreta um dito popular da cultura afegã. Ao se deparar com uma pedra deve-se descarregar todas as angústias e sofrimentos no mineral. A liberdade será alcançada somente quando a pedra se quebrar. 

Inevitável o paralelismo do filme com a situação analítica e o dispositivo de escuta. A análise se organiza na rara oportunidade de falar e ser escutado. A escuta atenta, descentrada e flutuante, do analista permite o surgimento da voz (e vozes) do analisando. O percurso da análise e a consideração analítica testemunham os movimentos transferenciais e emocionais do paciente ao procurar a coincidência de conhecimento e cura. Do processo analítico surge autonomia. Auto-nomia. Aquele que fala em próprio nome, não se sujeita ao saber do outro. A pedra da paciência pode ser, então, despedaçada. 

SOBRE O #MISEMCASA
A campanha #MISemCASA traz conteúdos em diferentes formatos em todas as plataformas digitais do MIS. A ação acontece em conjunto com o #Culturaemcasa, desenvolvido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, por conta da orientação do Centro de Contingência do Covid-19 – que determinou que os equipamentos culturais do Governo do Estado de São Paulo tenham seu funcionamento suspenso temporariamente. Conheça a ação #culturaemcasa: cultura.sp.gov.br/culturaemcasa/.

O MIS agradece aos patrocinadores e apoiadores da programação, que também apoiam a iniciativa digital #MISemCASA: Kapitalo Investimentos (patrocínio), Cielo (patrocínio), TozziniFreire Advogados (apoio institucional), Bain & Company (apoio institucional) e Telhanorte (apoio operacional).

Galeria de Fotos

Assista #misemcasa